segunda-feira, 23 de novembro de 2009



"Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário.

Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade.

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda


Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver


E a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração"



Mafalda Veiga

1 comentário:

Nehashim disse...

Um bem-haja.

Que belo poema escreveu a Mafalda Veiga. Sem dúvida, inspirada pela verdade. Não sei se ela terá ideia da profundidade do mesmo, sem dúvida que os anjos lho segredaram ao ouvido.

Abraços Fraternos :.

NeoEarth